sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O professor



- Estica a perna direita! Nesta coreografia não há joelhos flectidos, caramba!
- Dói-me a anca quando tento fazê-lo. Não consigo distender totalmente a perna!
- O espectáculo é daqui a dois dias e não admito más figuras.
- Ainda não percebeste que não consigo?
- Deita-te ali e coloca-te na posição de *borboleta.

*Deitada de barriga para cima completamente direita. Pernas dobradas para fora encostando os dois pés um no outro.

Carlos Fuentes era meu professor de dança há dois anos. Alto, esguio e de tez muito morena. Na fronte, tinha uma cicatriz (parece cliché), “marca de guerra com o irmão quando criança”, o próprio contou numa das aulas.
Vestia elegantemente fora e dentro das aulas, cada gesto seu era de uma delicadeza quase a raspar o feminino e que destoava da agressividade do rosto.
Falava bem português, mas não esquecera a adolescência na Venezuela e colocava intencionalmente uma leve pronúncia apenas em alguns verbos para não abandonar as suas cálidas raízes.


- Dói-te quando faço pressão com as mãos no teu joelho?
- Muito. Pára.
- Levanta-te. Não vais dançar. Não quero que faças má figura. Ou o tango sai irrepreensível ou vale mais nem apareceres.
- Merda para ti! Não danço porque não consigo esticar a cem porcento a porcaria do joelho?
- Sabes que não admito faltas de profissionalismo num espectáculo.

Saí da sala. As minhas colegas bailarinas rejubilavam por dentro, mas cantaram em uníssono um “ó que pena”.
Fui para os balneários enquanto continuavam o ensaio. Não suportaria estar a assistir sentada numa cadeira.
Despi-me e pus-me debaixo do chuveiro com água a escaldar. Encostei-me à parede de mosaico rosa e deixei-me estar em pé, relaxada, de olhos fechados a sentir a água quente a bater-me no rosto já quase escaldado. O balneário enchia-se de vapor.

- Que fazes aqui?
- Vim saber como estás.
- E entras no balneário das mulheres assim sem mais nem menos?
- Quero ver como está o teu joelho.

Confesso que nunca sentira uma grande atracção por Fuentes apesar de ser um homem atraente e um par de dança admirável. Por vezes, enquanto dançávamos, sentia que o excitava com o meu rebolar, mas nunca Fuentes tinha colocado mão em sítio proibido ou dissera algo mais provocador.

- E achas que este é o local mais indicado para o fazeres? Sai daqui.
- Não, mas quero acalmar-te e ver o joelho.

Enquanto me olhava nua, aproximava-se devagar e com cuidado para não escorregar. Tinha uma camisa branca de alças bem justa de onde saltavam uns fantásticos peitorais e uns braços torneados e morenos. Vestia umas calças pretas, também justas, fazendo adivinhar o tamanho daquilo que minutos depois entraria em mim. Encostei-me de novo à parede, mas virei-me de costas. Fuentes aproximou-se em passos elegantes tal cavalo de passeio e beijou-me os ombros, enquanto também ele ficava encharcado. Afastou-me com a sua perna as minhas pernas e fiquei submissa, muda e nada disse. As suas mãos enormes, sentia-as no meu rabo e no meu sexo molhado. Enquanto me tocava, a sua boca segredava-me ao ouvido.

- Sempre te quis. Lamento que não possas ser meu par no espectáculo. O tango ficará para outro dia…

Virei-me e dei-lhe um grande estalo. É preciso coragem! Um parvo daqueles diz-me que não posso dançar e chega ali e come-me sem mais nem menos? Não.
Fiz com que se sentasse e com dificuldade, entre shampô e sabonete conseguiu equilibrar-se e colocar o rabinho no chão. Sentei-me em cima dele e a sua boca mordiscou-me os mamilos enquanto as mãos, apertavam o meu rabo contra o seu sexo. Arqueei-me para a frente e entrou em mim, grande. O ritmo com que o fodia era de tal maneira rápido que as pernas de Fuentes já não tinham posição para estar e começavam com espasmos musculares.

- Vamos mudar de posição Maria. Estou a ficar com dores musculares.
- Tantos anos de dança e com breves minutos de foda choras com dores? Incrível…
- Sai, vamos mudar.
- Nem pensar.

Não deixei que se levantasse e cada vez que soltava um esgar de dor misturado com prazer, eu aumentava o ritmo e fazia mais e mais pressão. Via-lhe no rosto aflito para se mexer e para se vir e aumentei ainda mais o ritmo enquanto a água batia nos nossos rostos dificultando-nos a respiração. Finalmente Fuentes explodiu num gemido intenso e sofrido ficando completamente inerte debaixo de mim e quase que eu explodi a rir de tal figura ridícula.

- Não me digas que te doem os músculos?!
- Parva que foi isto? Vingança?
- Não, só quis que soubesses que às vezes não temos culpa de fazer má figura. Já agora, viste o meu sabonete?

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